O ano de 2026 se destaca como um período de inovações significativas na saúde pulmonar, com avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão. Globalmente, a ciência avança com a primeira vacina preventiva, enquanto no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) se prepara para aprimorar o rastreamento e incorporar terapias modernas.
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo há três décadas. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 35.300 novos casos por ano entre 2026 e 2028, evidenciando a urgência dessas inovações.
Vacina Preventiva LungVax Inicia Testes em Humanos
A esperança de uma vacina preventiva contra o câncer de pulmão se concretiza em 2026 com o início dos primeiros testes em humanos da LungVax. Desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela University College London, no Reino Unido, a vacina recebeu um financiamento de £2 milhões (equivalente a R$ 13 milhões).
A tecnologia empregada é similar à da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19, utilizando um vetor viral para treinar o sistema imunológico a reconhecer e combater células pulmonares que começam a apresentar alterações suspeitas, antes mesmo da formação de um tumor. Os ensaios clínicos iniciais focarão em indivíduos com alto risco, incluindo aqueles que já tiveram câncer de pulmão em estágio inicial e participantes de programas de rastreamento com alterações pulmonares.
Rastreamento de Câncer de Pulmão no SUS
No Brasil, o INCA lançou em 1º de abril de 2026 um estudo inédito para avaliar a viabilidade de implementar um programa de rastreamento de câncer de pulmão no SUS. A iniciativa, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e com financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca, busca gerar evidências científicas para uma futura diretriz nacional de detecção precoce.
O estudo, com duração prevista de dois anos e um mínimo de 397 participantes, utilizará a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), um método considerado padrão-ouro. O rastreamento com TCBD pode reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em 20%, e em até 38% quando combinado com a cessação do tabagismo. Atualmente, cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao tabagismo e são diagnosticados em estágio avançado, mas o rastreamento pode diminuir a proporção de diagnósticos tardios de 90% para aproximadamente 30%.
Novas Terapias e Imunoterapia no SUS
O cenário de tratamento também apresenta avanços significativos. Em 7 de abril de 2026, a Lei nº 15.379/2026 foi sancionada, incluindo a imunoterapia nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para o tratamento do câncer no SUS, modernizando a Lei Orgânica da Saúde.
Em maio de 2026, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) abriu consultas públicas para a inclusão da imunoterapia pembrolizumabe no SUS para o tratamento de câncer de pulmão, entre outros tipos. Este medicamento já havia sido aprovado pela Anvisa em 12 de maio de 2026 para uso em casos específicos de câncer de pulmão, ampliando sua indicação para o início do tratamento em pacientes com altos níveis da proteína PD-L1.
Além disso, em 31 de março de 2026, a Anvisa aprovou o Olizu (serplulimabe), uma imunoterapia anti-PD-1, para o tratamento de primeira linha de pacientes adultos com câncer de pulmão de pequenas células em doença extensa. Esses avanços representam um passo crucial para oferecer opções mais eficazes e menos tóxicas aos pacientes do sistema público de saúde.

