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Como a falta de representatividade nos participantes de pesquisa clínica pode afetar à saúde da população?

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Um dos principais temas a serem abordados quando o assunto é representatividade na pesquisa clínica é o impacto que isso pode causar na saúde da população como um todo. Usemos as disparidades em relação às taxas de sobrevivência ao câncer de mama entre mulheres negras em comparação mulheres brancas como exemplo.

Durante essa discussão, o que muitas vezes esquecemos é que isso pode estar diretamente ligado com a ausências ou menor número de mulheres negras em estudos clínicos. Muito se fala sobre a desigualdade socioeconômica entre raças e, é claro que isso também representa grande influência no assunto, mas o fato é que ao olharmos para o campo da ciência mulheres negras nunca participaram ativamente de pesquisas clínicas na medida em que as drogas desenvolvidas funcionam para nossos corpos.

E no caso do câncer de mama, diversos estudos apontam que a doença ataca mulheres negras de maneira diferente. Logo, diversos medicamentos ou tratamentos que foram ou estão sendo desenvolvidos atualmente podem não funcionar da mesma maneira nestes organismos.

De acordo com o Oncology Times, as mulheres negras que sobrevivem ao câncer de mama têm uma taxa de recorrência 39% maior e uma chance 71% maior de morte relativa. Além disso, mulheres negras com menos de 35 anos desenvolvem câncer de mama duas vezes mais que mulheres brancas. Ou seja, cinco anos antes do tempo recomendado para fazer sua primeira mamografia.

Para além da questão racial

Um estudo recente da Contemporary Clinical Trials Communications fez um levantamento de quantos bancos de dados sobre o câncer incluíam pessoas transgêneros e o resultado foi que apenas 2,2% apresentavam este perfil.

O problema é o mesmo de quando falamos sobre a população negra, ao passo de que a falta de diversidade na pesquisa clínica pode fazer com que essa ausência de dados “mascare” problemas que medicamentos podem causar em populações específicas como é o caso de transgêneros.

Uma matéria realizada pela Folha de S. Paulo no início deste ano discute que é preciso cada vez mais procurar e indicar pessoas desta parte da população para atingir resultados mais completos e precisos que não deixem de fora tipos de organismos que se diferem de outros que participam mais ativamente de pesquisas clínicas.

Para isso, formulários mais completos e pesquisas mais descentralizadas e abrangentes podem ser a resposta para atingir este público e incentivar a sua participação. Isso tem consequência direta na saúde e no futuro de tratamentos para diversas doenças.

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