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Rastreamento do câncer de pulmão: quem deve fazer?

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Câncer de pulmão tem rastreamento?

Sim, existe uma estratégia de rastreamento do câncer de pulmão, mas ela não é indicada para toda a população.

O rastreamento procura identificar alterações sugestivas de câncer antes do aparecimento de sintomas, em pessoas que apresentam maior risco de desenvolver a doença. Para determinados grupos de alto risco, estudos demonstraram benefício com o uso da tomografia computadorizada de baixa dose, também conhecida como TCBD ou LDCT.

No Brasil, entretanto, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que o rastreamento do câncer de pulmão não é recomendado para a população geral, porque os benefícios precisam ser avaliados em relação a possíveis riscos, como resultados falso-positivos, exposição à radiação, exames adicionais e procedimentos invasivos desnecessários.

Ao mesmo tempo, o próprio INCA reconhece evidências de benefício da tomografia de baixa dose em pessoas com histórico importante de tabagismo e recomenda que a decisão seja discutida individualmente entre médico e paciente.

Por isso, quando falamos em detecção precoce do câncer de pulmão, é importante diferenciar duas situações: rastrear uma pessoa sem sintomas e investigar uma pessoa que já apresenta sinais suspeitos.

O que é rastreamento do câncer de pulmão?

Rastreamento significa procurar uma doença em pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas pertencem a um grupo com maior probabilidade de desenvolvê-la.

Esse conceito é diferente do diagnóstico.

Uma pessoa com tosse persistente, sangue no catarro, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou perda de peso sem causa aparente, por exemplo, não está mais no cenário clássico de rastreamento. Ela precisa de uma investigação diagnóstica orientada por um profissional de saúde.

Na prática, quando alguém pesquisa por “rastreamento câncer de pulmão”, normalmente procura saber se existe um exame capaz de encontrar a doença antes dos sintomas.

Existe, para grupos específicos: a tomografia computadorizada de baixa dose.

Quem deve fazer rastreamento de câncer de pulmão?

Os critérios não são exatamente iguais em todas as diretrizes internacionais. Por isso, a avaliação individual é importante.

A referência citada atualmente pelo INCA considera evidências favoráveis ao rastreamento com tomografia de baixa dose principalmente em pessoas que apresentam um conjunto de características de alto risco:

  • idade entre 50 e 80 anos;
  • histórico acumulado de pelo menos 20 maços-ano de tabagismo;
  • ser fumante atualmente ou ter parado de fumar há menos de 15 anos.

Esses critérios correspondem à recomendação da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), que recomenda tomografia de baixa dose anual para esse grupo.

Sociedades médicas brasileiras de cirurgia torácica, pneumologia e radiologia também publicaram recomendações específicas sobre rastreamento em grupos de alto risco, reconhecendo a tomografia de baixa dose como o método central dessa estratégia.

Isso não significa, porém, que uma pessoa deva solicitar uma tomografia por conta própria apenas porque se enquadra em alguns desses critérios. O histórico completo e as condições clínicas precisam ser avaliados.

O que significa 20 maços-ano?

“Maços-ano” é uma medida utilizada para estimar a quantidade acumulada de exposição ao cigarro.

De maneira simplificada:

número de maços fumados por dia × número de anos fumando = maços-ano

Por exemplo:

Uma pessoa que fumou 1 maço por dia durante 20 anos acumulou 20 maços-ano.

Uma pessoa que fumou 2 maços por dia durante 10 anos também acumulou 20 maços-ano.

A USPSTF e outras diretrizes utilizam essa medida porque o risco relacionado ao tabagismo depende tanto da quantidade consumida quanto do tempo de exposição.

Quem não sabe calcular o próprio histórico pode levar essas informações à consulta médica para que o profissional faça a avaliação.

Por que existem critérios diferentes na internet?

Essa é uma dúvida importante.

A USPSTF recomenda atualmente rastreamento anual para pessoas de 50 a 80 anos, com pelo menos 20 maços-ano, que ainda fumam ou tenham parado há menos de 15 anos.

Já a American Cancer Society (ACS) atualizou suas recomendações e indica rastreamento anual para pessoas entre 50 e 80 anos com pelo menos 20 maços-ano que fumam ou fumaram anteriormente, sem utilizar o mesmo limite de 15 anos desde a cessação como critério de exclusão.

Por isso, é possível encontrar informações diferentes em sites confiáveis.

Para uma pessoa no Brasil, o mais adequado é utilizar essas informações como referência para conversar com um profissional de saúde, e não como uma indicação automática para realizar o exame.

Qual exame é usado para rastrear câncer de pulmão?

O exame com evidências para o rastreamento de pessoas de alto risco é a tomografia computadorizada de baixa dose.

Ela utiliza uma quantidade menor de radiação do que protocolos convencionais de tomografia e produz imagens detalhadas dos pulmões.

O CDC afirma que a tomografia de baixa dose é o exame recomendado para o rastreamento do câncer de pulmão em pessoas elegíveis.

Em grandes estudos clínicos, esse método mostrou capacidade de encontrar tumores em fases mais precoces e reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em populações selecionadas de maior risco. O National Cancer Institute relata reduções relativas de aproximadamente 20% a 24% na mortalidade específica por câncer de pulmão em importantes estudos randomizados de rastreamento com tomografia de baixa dose.

Porém, esse benefício foi demonstrado em grupos selecionados. Ele não significa que fazer tomografia periodicamente seja vantajoso para qualquer pessoa.

Tomografia para câncer de pulmão é uma tomografia comum?

Quando falamos especificamente de rastreamento, o exame estudado é a tomografia computadorizada de baixa dose, realizada com um protocolo voltado para identificação de alterações pulmonares em pessoas sem sintomas e com risco aumentado.

Quem pesquisa por “tomografia câncer de pulmão” também pode encontrar informações sobre tomografias utilizadas durante a investigação diagnóstica ou o acompanhamento de pacientes.

São situações diferentes.

Uma tomografia solicitada porque uma pessoa apresenta sintomas, por exemplo, faz parte de uma investigação médica e não deve ser confundida com um programa de rastreamento.

Raio-X do tórax serve para rastreamento?

Não é o exame recomendado para essa finalidade.

O National Cancer Institute informa que estudos com radiografia de tórax e análise de escarro não demonstraram redução da mortalidade por câncer de pulmão quando utilizados como rastreamento.

A tomografia de baixa dose consegue visualizar o pulmão com muito mais detalhes e identificar nódulos menores que podem não aparecer claramente em uma radiografia convencional.

Isso não significa que o raio-X não tenha utilidade médica. Ele continua sendo utilizado em inúmeras situações clínicas. O ponto é que não é o método indicado para rastreamento do câncer de pulmão em pessoas de alto risco.

Existe exame preventivo para câncer de pulmão?

A expressão “exame preventivo câncer de pulmão” é bastante utilizada nas buscas, mas existe uma diferença entre prevenção e rastreamento.

A tomografia de baixa dose não impede que o câncer apareça.

Ela procura encontrar uma possível doença em uma fase inicial, antes do surgimento dos sintomas.

Portanto, tecnicamente, ela é um exame de rastreamento, e não um exame que previne o câncer.

A prevenção está principalmente relacionada à redução dos fatores de risco. No caso do câncer de pulmão, a medida mais importante é não fumar ou interromper o tabagismo. Também é relevante reduzir exposições ocupacionais e ambientais a agentes cancerígenos quando possível.

O rastreamento complementa essas estratégias para determinados indivíduos de maior risco; ele não substitui a prevenção.

Quem nunca fumou precisa fazer tomografia para rastreamento?

De maneira geral, não existe atualmente recomendação de rastreamento populacional rotineiro com tomografia para todas as pessoas que nunca fumaram.

Isso não significa que não fumantes não possam desenvolver câncer de pulmão.

Fumo passivo, radônio, poluição do ar, exposições ocupacionais, histórico familiar e fatores genéticos também podem aumentar o risco da doença.

No entanto, os critérios de rastreamento mais estabelecidos atualmente são baseados principalmente em idade e histórico de tabagismo, porque é nesse grupo que os benefícios da tomografia de baixa dose foram mais claramente demonstrados.

Pessoas com outros fatores relevantes devem discutir seu risco individual com um profissional de saúde.

Fumante passivo deve fazer rastreamento?

A exposição ao fumo passivo é reconhecida como fator de risco para câncer de pulmão, mas apenas ter sido fumante passivo não coloca automaticamente uma pessoa nos critérios tradicionais de rastreamento com tomografia de baixa dose.

As recomendações mais estabelecidas ainda utilizam principalmente idade e quantidade acumulada de tabagismo ativo.

Quem teve exposição intensa ao fumo passivo ou apresenta outros fatores de risco deve informar esse histórico ao médico.

O que acontece se a tomografia encontrar um nódulo?

Encontrar um nódulo pulmonar não significa receber um diagnóstico de câncer.

Nódulos pulmonares são relativamente frequentes e podem ter várias causas, incluindo infecções anteriores, inflamações e alterações benignas.

O tamanho, o formato, a aparência e a evolução do nódulo ao longo do tempo ajudam a definir o próximo passo.

Dependendo das características encontradas, o médico pode recomendar:

  • acompanhamento com nova tomografia;
  • realização de exames complementares;
  • avaliação por pneumologista ou cirurgião torácico;
  • PET-CT em situações selecionadas;
  • broncoscopia;
  • biópsia.

A finalidade do rastreamento é identificar alterações que precisam ser avaliadas. A tomografia sozinha não confirma que uma pessoa tenha câncer.

Quais são os benefícios da detecção precoce do câncer de pulmão?

A principal justificativa para o rastreamento é tentar encontrar a doença enquanto ela ainda está localizada e pode apresentar mais possibilidades de tratamento.

O National Cancer Institute destaca que grandes ensaios clínicos mostraram redução significativa da mortalidade por câncer de pulmão entre indivíduos de alto risco submetidos ao rastreamento com tomografia de baixa dose.

O CDC também reforça que o rastreamento procura encontrar a doença antes do surgimento dos sintomas, momento em que o tratamento pode apresentar melhores resultados.

É justamente essa lógica que diferencia detecção precoce do câncer de pulmão de simplesmente esperar que sintomas apareçam.

Se a tomografia ajuda, por que não fazer em todo mundo?

Porque rastreamento também pode provocar efeitos indesejados.

Quanto menor o risco de uma pessoa ter câncer de pulmão, menor tende a ser o benefício esperado — enquanto os possíveis danos continuam existindo.

Entre os riscos estão:

Resultado falso-positivo

A tomografia pode mostrar uma alteração inicialmente considerada suspeita que depois se revela benigna.

Isso pode gerar ansiedade, novas tomografias e, em alguns casos, procedimentos invasivos.

Exposição à radiação

A TC utilizada para rastreamento emprega baixa dose de radiação, mas existe exposição.

Como o rastreamento costuma ser repetido periodicamente, esse fator precisa entrar na avaliação de risco e benefício.

Sobrediagnóstico

Em algumas situações, um exame pode identificar um câncer que cresceria tão lentamente que nunca causaria sintomas ou ameaçaria a vida daquela pessoa.

Detectá-lo pode resultar em tratamentos que talvez não fossem necessários.

Achados incidentais

A tomografia também pode encontrar alterações em outros órgãos ou estruturas que não têm relação com câncer de pulmão e que podem exigir investigação adicional.

Por essas razões, o INCA não recomenda simplesmente rastrear toda a população brasileira.

Quem tem sintomas deve esperar o rastreamento?

Não.

Essa diferença é essencial.

Rastreamento é destinado a pessoas sem sintomas.

Se uma pessoa apresenta sintomas que podem justificar investigação, o caminho é procurar atendimento médico.

Entre os sinais citados pelo INCA estão:

  • tosse persistente;
  • mudança no padrão habitual da tosse;
  • rouquidão persistente;
  • sangue nas vias respiratórias;
  • dor no peito;
  • dificuldade para respirar;
  • fraqueza;
  • perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas têm muitas outras causas e, na maioria das vezes, não significam câncer. Ainda assim, quando persistem ou pioram, precisam ser avaliados.

Nesse cenário, o médico poderá solicitar os exames diagnósticos adequados, que não necessariamente seguem o mesmo protocolo utilizado no rastreamento.

Rastreamento e detecção precoce são a mesma coisa?

O rastreamento faz parte das estratégias de detecção precoce, mas os conceitos não são exatamente iguais.

Existem dois caminhos principais:

Rastreamento: procura alterações em pessoas sem sintomas que apresentam risco aumentado.

Diagnóstico precoce: procura identificar rapidamente a causa de sinais ou sintomas suspeitos.

O INCA utiliza exatamente essa divisão ao explicar as estratégias de detecção precoce do câncer de pulmão.

Portanto, uma pessoa pode precisar investigar câncer de pulmão mesmo que não faça parte do grupo indicado para rastreamento.

Com que frequência é realizado o rastreamento?

Nas diretrizes internacionais mais utilizadas, a tomografia computadorizada de baixa dose é realizada anualmente enquanto a pessoa permanecer dentro dos critérios de elegibilidade.

A USPSTF recomenda rastreamento anual no grupo de alto risco definido por seus critérios.

A American Cancer Society também recomenda rastreamento anual para indivíduos elegíveis de 50 a 80 anos com histórico de pelo menos 20 maços-ano.

A periodicidade, o início e a continuidade do rastreamento precisam ser discutidos com o profissional responsável.

Quando o rastreamento deve ser interrompido?

Isso depende da diretriz utilizada e das condições da pessoa.

Na recomendação da USPSTF, o rastreamento deixa de ser indicado quando a pessoa ultrapassa a idade prevista, está há mais de 15 anos sem fumar ou desenvolve uma condição de saúde que reduza significativamente a expectativa de vida ou impeça a realização de tratamento com intenção curativa caso um câncer seja encontrado.

É mais um motivo para o exame não ser tratado como um check-up automático.

Perguntas frequentes sobre rastreamento do câncer de pulmão

Câncer de pulmão tem exame de rastreamento?

Sim. Para determinados grupos de maior risco, o exame estudado e recomendado é a tomografia computadorizada de baixa dose.

Qual exame detecta câncer de pulmão antes dos sintomas?

A tomografia computadorizada de baixa dose pode ser utilizada para rastrear indivíduos de alto risco que ainda não apresentam sintomas. Uma alteração encontrada na tomografia, porém, pode exigir outros exames para confirmar ou excluir câncer.

Quem deve fazer tomografia para câncer de pulmão?

Critérios utilizados pelo INCA como referência e pela USPSTF consideram principalmente pessoas entre 50 e 80 anos com pelo menos 20 maços-ano de tabagismo, fumantes atuais ou que tenham parado há menos de 15 anos. A decisão deve ser individualizada.

Quem nunca fumou deve fazer rastreamento?

Não há atualmente recomendação de rastreamento rotineiro de toda a população que nunca fumou. Outros fatores de risco devem ser avaliados individualmente com um profissional de saúde.

Raio-X detecta câncer de pulmão precocemente?

Pode identificar algumas alterações, mas não é o exame recomendado para rastreamento. Estudos não demonstraram redução da mortalidade com rastreamento baseado em radiografia de tórax.

Tomografia de baixa dose confirma câncer?

Não. Ela identifica alterações suspeitas. Se necessário, exames complementares e uma biópsia podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico.

Quem tem tosse persistente deve fazer rastreamento?

Uma pessoa com sintomas precisa de investigação diagnóstica, e não simplesmente de rastreamento. O exame adequado depende da avaliação médica.

Conclusão

O rastreamento do câncer de pulmão existe, mas não deve ser entendido como um exame de rotina para toda a população.

A principal estratégia estudada é a tomografia computadorizada de baixa dose, especialmente para pessoas que apresentam risco elevado devido à idade e ao histórico acumulado de tabagismo.

No Brasil, o INCA não recomenda rastreamento populacional amplo, mas reconhece as evidências internacionais de redução da mortalidade em pessoas de maior risco e orienta que os benefícios e riscos do exame sejam discutidos individualmente.

Também é fundamental diferenciar rastreamento de investigação de sintomas. Quem apresenta tosse persistente, sangue no catarro, falta de ar, rouquidão, dor no peito ou perda de peso inexplicada não deve esperar por um exame preventivo para câncer de pulmão: precisa procurar avaliação médica.

Quando indicado corretamente, o rastreamento pode contribuir para a detecção precoce do câncer de pulmão. Mas a decisão sobre quem deve realizar a tomografia precisa considerar risco individual, histórico de tabagismo, benefícios e possíveis efeitos do exame.

Tem histórico importante de tabagismo e quer entender seu risco para câncer de pulmão?

Converse com um profissional de saúde sobre seu histórico, sua idade e a quantidade de cigarros consumida ao longo da vida. Essa avaliação pode ajudar a identificar se existe indicação para discutir o rastreamento com tomografia de baixa dose.

Continue acompanhando os conteúdos do CEPHO para acessar informações confiáveis sobre câncer de pulmão, diagnóstico, tratamento e pesquisa clínica.