O Instituto Nacional de Câncer (INCA) anunciou, em 1º de abril de 2026, o início de um estudo inédito que avaliará a viabilidade de implementar um programa de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e com financiamento da AstraZeneca, busca criar evidências científicas para a formulação de uma diretriz nacional de detecção precoce.
Quem pode participar do estudo piloto do INCA?
O estudo acompanhará, inicialmente, um grupo mínimo de 397 voluntários recrutados pelo Programa de Cessação de Tabagismo da prefeitura do Rio de Janeiro. Os critérios de elegibilidade seguem consensos médicos brasileiros:
- Indivíduos entre 50 e 80 anos de idade.
- Fumantes ou ex-fumantes que abandonaram o hábito nos últimos 15 anos.
- Pessoas com carga tabágica de pelo menos 20 anos-maço (equivalente a um maço por dia durante duas décadas).
Como a tomografia de baixa dose reduz a mortalidade?
O método utilizado no rastreamento é a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), considerada o padrão-ouro para identificar nódulos malignos em estágios iniciais. De acordo com o INCA, o uso dessa tecnologia em populações de alto risco tem o potencial de reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em 20%.
Quando o rastreamento é associado à interrupção do tabagismo, a queda no número de óbitos pode chegar a 38%. A tecnologia permite identificar a doença antes do surgimento de sintomas, fase em que as chances de cura são significativamente maiores.
Qual o impacto do diagnóstico precoce no Brasil?
A urgência do estudo reflete o cenário crítico da oncologia pulmonar no país. Dados do Atlas de Mortalidade do INCA apontam que, em 2024, o Brasil registrou 32.465 óbitos pela doença. Atualmente, cerca de 85% a 90% dos diagnósticos no SUS ocorrem em estágios avançados.
O projeto piloto pretende demonstrar que é possível reverter esse quadro, reduzindo o índice de diagnósticos tardios para apenas 30%. Isso ampliaria as opções de tratamento e a sobrevida dos pacientes atendidos pela rede pública.
O que o projeto pretende estabelecer para o sistema público?
Ao longo de dois anos, os pesquisadores, liderados pelo epidemiologista Arn Migowski, analisarão a eficácia clínica, a infraestrutura necessária e a adesão dos pacientes ao protocolo. Segundo Roberto Gil, diretor-geral do INCA, o objetivo é fundamentar uma política pública sustentável que possa ser expandida para todo o território nacional.

