A radioterapia utiliza radiação de alta energia para danificar as células cancerígenas e impedir que continuem crescendo e se multiplicando.
O tratamento é planejado para concentrar a dose na região do tumor e reduzir, tanto quanto possível, a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.
No tórax, esse planejamento exige atenção especial porque os pulmões ficam próximos de estruturas importantes, como:
- coração;
- esôfago;
- grandes vasos;
- medula espinhal;
- brônquios;
- tecido pulmonar saudável.
Por isso, antes de começar a radioterapia, normalmente é realizada uma etapa de planejamento.
O paciente pode fazer uma tomografia específica para que a equipe identifique exatamente a área que precisa receber radiação.
A posição do corpo também costuma ser cuidadosamente definida para que seja reproduzida em cada sessão.
Em quais situações a radioterapia pode ser indicada?
Não existe uma única resposta.
A radioterapia no câncer de pulmão pode ter funções bastante diferentes dependendo do estágio.
Em câncer de pulmão inicial
Alguns pacientes apresentam um tumor localizado, mas não podem realizar cirurgia devido a condições clínicas ou pulmonares.
Outros podem não querer realizar a operação depois de discutir as opções com a equipe.
Nessas situações, determinadas técnicas de radioterapia podem ser utilizadas como tratamento principal.
Uma delas é a SBRT.
O que é SBRT?
SBRT significa Stereotactic Body Radiation Therapy, traduzida como radioterapia estereotáxica corporal.
É uma técnica altamente precisa que administra doses elevadas de radiação diretamente sobre um tumor em poucas sessões.
No câncer de pulmão em estágio inicial, ela pode ser considerada principalmente para determinados pacientes que não são candidatos à cirurgia.
A precisão é importante porque permite concentrar a radiação no tumor enquanto se busca preservar o máximo possível do pulmão ao redor.
O NCI descreve a SBRT como uma técnica que utiliza equipamentos especiais para posicionar o paciente de maneira muito precisa e direcionar doses maiores de radiação diretamente ao tumor durante um número reduzido de tratamentos.
Radioterapia pode substituir a cirurgia?
Em alguns cenários, ela pode ser utilizada como principal tratamento quando uma cirurgia não é indicada.
Isso não significa que cirurgia e radioterapia sejam equivalentes em todas as situações.
Quando um câncer de pulmão inicial é potencialmente operável, fatores como tamanho, localização, função pulmonar, idade biológica e outras condições clínicas precisam ser discutidos antes de escolher a estratégia.
Para alguns pacientes, a cirurgia pode ser a principal opção.
Para outros, a SBRT pode representar uma alternativa importante.
Essa escolha precisa ser individualizada.
E no câncer de pulmão estágio 3?
O estágio 3 é bastante heterogêneo.
Em alguns casos, cirurgia pode fazer parte da estratégia.
Em outros, o tumor não é considerado adequado para ressecção cirúrgica.
Nessas situações, é comum que a radioterapia seja combinada à quimioterapia.
Esse tratamento é chamado de quimiorradioterapia.
O objetivo é atuar simultaneamente sobre a doença local e sobre possíveis células tumorais fora da região diretamente irradiada.
Dependendo do tipo do tumor e da resposta ao tratamento, outras terapias também podem ser utilizadas posteriormente.
Por isso, ouvir que um paciente está em “estágio 3” não é suficiente para saber qual tratamento ele receberá.
Radioterapia pode ser utilizada depois da cirurgia?
Em determinadas situações, sim.
Depois da cirurgia, o material retirado é analisado pelo patologista.
Essa avaliação pode revelar informações que não eram totalmente conhecidas antes da operação, como comprometimento de determinados linfonodos ou presença de células tumorais próximas às margens cirúrgicas.
Em alguns pacientes, essas informações podem levar à discussão sobre tratamento complementar.
Entretanto, radioterapia pós-operatória não é necessária para todas as pessoas submetidas à cirurgia.
A decisão depende do resultado anatomopatológico e de outras características clínicas.
Radioterapia pode ser feita antes da cirurgia?
Também pode.
Em determinados tumores localmente avançados, radioterapia e quimioterapia podem ser realizadas antes da cirurgia para tratar o tumor e estruturas regionais envolvidas.
Esse tipo de estratégia é chamado de tratamento neoadjuvante.
Novamente, não existe uma única sequência válida para todos.
O planejamento costuma envolver diferentes especialistas.
O papel da equipe multidisciplinar
O tratamento do câncer de pulmão frequentemente envolve profissionais de diferentes áreas.
Podem participar:
- oncologista clínico;
- cirurgião torácico;
- radio-oncologista;
- pneumologista;
- radiologista;
- patologista;
- equipe de enfermagem;
- equipe multiprofissional.
Em casos mais complexos, discutir o paciente em conjunto ajuda a definir qual combinação e sequência de tratamentos faz mais sentido.
Radioterapia também pode tratar metástases?
Sim.
A radioterapia no câncer de pulmão não precisa ser direcionada somente ao tumor que está dentro do pulmão.
Quando existe disseminação da doença, a radiação pode ser utilizada para tratar determinadas metástases.
Entre os possíveis locais estão:
- cérebro;
- ossos;
- glândulas suprarrenais;
- outras regiões.
O objetivo depende do caso.
Em algumas situações, procura-se obter grande controle local da lesão.
Em outras, a principal finalidade é aliviar sintomas.
E nas metástases cerebrais?
Existem diferentes técnicas de radioterapia para lesões cerebrais.
Uma delas é a radiocirurgia estereotáxica.
Apesar do nome, não se trata de uma cirurgia tradicional com corte.
A técnica utiliza radiação extremamente focalizada para tratar determinadas lesões cerebrais.
Quantidade de metástases, tamanho, localização, sintomas, perfil molecular e estado geral do paciente influenciam essa decisão.
Radioterapia também pode aliviar sintomas
Nem toda radioterapia possui intenção curativa.
Em casos avançados, ela pode ser utilizada com objetivo paliativo.
Isso não significa “desistir do tratamento”.
Tratamento paliativo significa controlar problemas causados pela doença e preservar qualidade de vida.
A radioterapia pode ajudar, dependendo da situação, no controle de:
- dor provocada por metástases ósseas;
- sangramento;
- compressões;
- sintomas causados pelo tumor;
- determinadas lesões cerebrais.
A American Cancer Society também destaca o uso da radioterapia para aliviar sintomas como dor, sangramento, dificuldade para engolir e problemas provocados pela disseminação da doença.
Como é uma sessão de radioterapia?
A aplicação costuma ser rápida.
A maior parte do tempo é utilizada para posicionar o paciente corretamente.
Durante a aplicação da radiação, o profissional fica fora da sala, mas acompanha o paciente por sistemas de comunicação e monitoramento.
A radiação não pode ser vista ou sentida durante a aplicação.
O número de sessões varia bastante.
Tratamentos convencionais podem exigir várias semanas.
Já técnicas como SBRT podem ser realizadas em um número muito menor de sessões.
Por isso, comparar a quantidade de aplicações entre pacientes não ajuda a determinar se um caso é “melhor” ou “pior”.
Radioterapia deixa a pessoa radioativa?
Na radioterapia externa, que é a forma mais utilizada no câncer de pulmão, o paciente não fica radioativo depois da sessão.
A radiação é produzida pelo equipamento e direcionada ao corpo durante o tratamento.
Ao final da aplicação, não permanece radiação sendo emitida pela pessoa.
Existem formas de radioterapia interna utilizadas em situações específicas, mas são técnicas diferentes.
Quais efeitos colaterais podem ocorrer?
Os efeitos dependem da região irradiada, dose, número de sessões e tratamentos combinados.
Podem ocorrer:
- cansaço;
- irritação da pele;
- tosse;
- dificuldade ou desconforto para engolir;
- falta de ar;
- alterações no apetite.
Alguns efeitos surgem durante o tratamento.
Outros podem aparecer depois.
Um dos eventos que merece atenção é a pneumonite por radiação, uma inflamação do tecido pulmonar.
Sintomas respiratórios novos ou que pioram precisam ser comunicados à equipe.
Radioterapia faz cair o cabelo?
Quando a radiação é aplicada somente no tórax, ela não provoca queda de cabelo no couro cabeludo.
A radioterapia costuma afetar principalmente a região que está sendo tratada.
Por exemplo, radioterapia no cérebro pode provocar perda de cabelo em determinadas áreas.
O tratamento dói?
A aplicação da radiação em si é indolor.
O paciente precisa permanecer imóvel durante a sessão, mas não sente a radiação entrando no corpo.
Alguns efeitos relacionados ao tratamento podem surgir posteriormente e precisam ser acompanhados.
O que perguntar antes de começar?
Vale conversar com a equipe sobre:
- qual é o objetivo da radioterapia;
- qual região será tratada;
- quantas sessões serão necessárias;
- qual técnica será utilizada;
- quais efeitos são mais prováveis;
- quais sintomas precisam ser comunicados rapidamente;
- quais outros tratamentos serão realizados;
- como será acompanhado o resultado.
Entender o plano costuma tornar essa etapa menos abstrata e mais fácil de enfrentar.
Perguntas frequentes sobre radioterapia no câncer de pulmão
Radioterapia pode curar câncer de pulmão?
Em determinados pacientes, sim. Ela pode fazer parte de tratamentos com intenção curativa, especialmente em alguns cânceres localizados ou em estratégias combinadas.
SBRT e radioterapia são a mesma coisa?
SBRT é um tipo específico e muito preciso de radioterapia.
Quantas sessões são necessárias?
Depende da técnica, objetivo e características do tumor. Pode variar de poucas aplicações a várias semanas.
Quem faz radioterapia também precisa fazer quimioterapia?
Não necessariamente. Algumas pessoas recebem somente radioterapia; outras recebem tratamentos combinados.
Radioterapia pode ser feita em idosos?
Sim. Idade isoladamente não impede o tratamento. Estado geral, função pulmonar e outros fatores são mais importantes.
A radioterapia pode tratar metástases?
Sim. Pode ser utilizada, por exemplo, em determinadas metástases cerebrais e ósseas.
O que vale guardar
A radioterapia no câncer de pulmão pode cumprir funções muito diferentes.
Ela pode ser uma alternativa para determinados tumores iniciais, integrar tratamentos combinados, atuar sobre metástases ou ajudar no controle de sintomas.
Por isso, não deve ser interpretada automaticamente como sinal de doença terminal.
O mais importante é entender qual é o objetivo da radioterapia naquele paciente específico.
O CEPHO conduz pesquisas clínicas em câncer de pulmão. Para pessoas com diagnóstico confirmado, características como tipo do tumor, estágio, tratamentos anteriores e biomarcadores podem determinar a compatibilidade com um protocolo em andamento.
O pré-cadastro não garante participação e a elegibilidade precisa ser confirmada pela equipe responsável.
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Andrea Kazumi Shimada
Danielle Mauricio Cabral Amaro