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Teste molecular no câncer de pulmão: 9 biomarcadores

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O teste molecular no câncer de pulmão ajuda a identificar características específicas do tumor que podem influenciar a escolha do tratamento. Isso é importante porque duas pessoas podem receber o diagnóstico de câncer de pulmão de não pequenas células, estar em estágios semelhantes e, ainda assim, apresentar tumores biologicamente diferentes.

Uma das razões para essas diferenças está nos chamados biomarcadores.

Alguns tumores possuem alterações em genes ou proteínas que contribuem para o crescimento das células cancerígenas. Identificá-las pode revelar se existem tratamentos desenvolvidos especificamente para atuar sobre aquele mecanismo.

É uma das bases da chamada medicina de precisão.

Por isso, em determinados pacientes, saber apenas que existe um câncer de pulmão já não é suficiente. Tipo histológico, estágio, perfil molecular e outros biomarcadores podem ser analisados em conjunto antes da definição da estratégia terapêutica.

Neste conteúdo, você vai entender

  • para que serve o teste molecular;
  • o que são biomarcadores;
  • o que significa NGS;
  • quais alterações podem ser pesquisadas;
  • qual é a diferença entre EGFR, ALK, ROS1, KRAS e outros biomarcadores;
  • por que PD-L1 é diferente de uma mutação;
  • como funciona a biópsia líquida;
  • se um resultado negativo exclui alterações moleculares;
  • qual a diferença entre teste tumoral e teste genético hereditário;
  • como os resultados podem influenciar o tratamento;
  • como testes moleculares se relacionam à pesquisa clínica.

O que é o teste molecular no câncer de pulmão?

O teste molecular no câncer de pulmão analisa características biológicas do tumor, principalmente alterações em genes que podem ter importância para o desenvolvimento da doença e para a escolha do tratamento.

Esse tipo de investigação também pode aparecer com nomes como:

  • perfil molecular;
  • perfil genômico;
  • teste de biomarcadores;
  • teste genômico do tumor;
  • sequenciamento molecular;
  • tumor profiling.

Existem diferenças técnicas entre alguns desses termos, mas todos estão relacionados à tentativa de caracterizar o câncer além daquilo que é observado apenas na imagem ou no microscópio.

O objetivo não é simplesmente “descobrir mais mutações”.

A pergunta realmente importante é:

existe alguma característica do tumor que possa mudar a decisão médica?

O que são biomarcadores no câncer de pulmão?

Biomarcadores são características biológicas que podem fornecer informações sobre o câncer.

Eles podem envolver:

  • alterações no DNA;
  • alterações no RNA;
  • genes fundidos ou rearranjados;
  • proteínas;
  • quantidade ou expressão de determinadas proteínas;
  • outras características das células tumorais.

Nem todo biomarcador possui a mesma função.

Alguns podem ajudar na escolha de uma terapia-alvo.

Outros podem contribuir para decisões relacionadas à imunoterapia.

E existem alterações cuja importância ainda está sendo estudada.

Por isso, encontrar uma alteração no laudo não significa automaticamente que existe um medicamento indicado.

Para que serve o teste molecular no câncer de pulmão?

Uma das principais funções do teste molecular no câncer de pulmão é identificar alterações que possam ser utilizadas para orientar uma estratégia de tratamento mais individualizada.

Em determinados casos, o resultado pode ajudar a:

  • identificar uma terapia-alvo disponível;
  • definir quais estratégias podem ter maior possibilidade de benefício;
  • evitar determinados tratamentos que não seriam os mais adequados naquele contexto;
  • identificar estudos clínicos baseados em características moleculares;
  • compreender mecanismos envolvidos na resistência a tratamentos;
  • definir se novos testes podem ser necessários.

O resultado precisa sempre ser analisado em conjunto com estágio, tipo histológico, tratamentos anteriores e condições clínicas.

Por que dois cânceres de pulmão podem ser biologicamente diferentes?

A expressão “câncer de pulmão” reúne diferentes doenças.

Mesmo dentro de um mesmo subtipo, como o adenocarcinoma pulmonar, podem existir alterações moleculares distintas.

Por exemplo, um tumor pode apresentar uma alteração relacionada ao EGFR, enquanto outro apresenta uma fusão de ALK e um terceiro pode apresentar uma mutação específica de KRAS.

Os três podem ser adenocarcinomas, mas biologicamente não são idênticos.

Essa diferença ajuda a explicar por que o tratamento moderno do câncer de pulmão está cada vez mais conectado aos biomarcadores.

Quais biomarcadores podem ser pesquisados?

Os biomarcadores solicitados dependem do tipo de câncer, estágio, quantidade de material disponível, contexto clínico e recomendações utilizadas pela equipe.

No câncer de pulmão de células não pequenas, alguns dos principais alvos atualmente avaliados incluem os seguintes.

1. EGFR

O EGFR é um gene envolvido em mecanismos de crescimento e sobrevivência celular.

Alguns cânceres de pulmão apresentam alterações que mantêm essa via excessivamente ativa.

Quando uma alteração relevante é identificada, podem existir medicamentos desenvolvidos especificamente para inibir a atividade relacionada ao EGFR.

Entretanto, existem diferentes mutações de EGFR.

Por isso, um laudo que simplesmente diz “EGFR positivo” precisa ser interpretado considerando qual alteração foi identificada.

Deleções do éxon 19, L858R e inserções no éxon 20, por exemplo, são alterações diferentes e podem ter implicações terapêuticas distintas.

2. ALK

ALK é outro biomarcador importante em determinados cânceres de pulmão de células não pequenas.

Nesse caso, frequentemente o que ocorre é uma fusão ou rearranjo genético, e não simplesmente uma mutação pontual.

Essa alteração pode produzir uma proteína anormal que favorece o crescimento das células tumorais.

Quando a fusão de ALK é identificada, podem existir terapias-alvo específicas.

3. ROS1

Alterações envolvendo ROS1 também costumam ocorrer na forma de rearranjos ou fusões.

Embora sejam encontradas em uma parcela relativamente pequena dos pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas, sua identificação é importante porque existem tratamentos direcionados para tumores ROS1 positivos.

Por isso, alterações pouco frequentes podem ter grande importância para o paciente que as apresenta.

4. KRAS

KRAS está entre os genes alterados com frequência em câncer de pulmão de células não pequenas.

Mas novamente é importante conhecer a alteração específica.

Um exemplo é KRAS G12C, para a qual foram desenvolvidos medicamentos direcionados.

Isso mostra por que o teste molecular precisa apresentar mais informações do que simplesmente dizer se um gene está “alterado”.

5. BRAF

O gene BRAF participa de uma via de sinalização envolvida no crescimento celular.

Alguns tumores apresentam alterações nessa via.

Uma das mais conhecidas é BRAF V600E, que possui implicações terapêuticas específicas.

Outras alterações de BRAF podem ter significado diferente.

6. MET

O gene MET pode apresentar diferentes tipos de alterações.

Uma delas é conhecida como MET exon 14 skipping.

Existem terapias direcionadas a determinados cânceres de pulmão que apresentam essa alteração.

Também podem existir outras alterações relacionadas à via MET, como amplificação ou expressão da proteína, que precisam ser interpretadas de acordo com o contexto.

7. RET

Alguns tumores apresentam fusões envolvendo RET.

Essas fusões podem atuar como mecanismos que promovem o crescimento tumoral.

Quando identificadas em pacientes adequados, podem existir opções terapêuticas direcionadas.

8. HER2

O HER2, também chamado de ERBB2, é mais conhecido por sua importância no câncer de mama, mas alterações relacionadas a esse gene também podem aparecer em câncer de pulmão.

No câncer pulmonar, mutação, amplificação e expressão da proteína HER2 são fenômenos diferentes.

Por isso, o tipo específico de alteração descrita no laudo precisa ser considerado.

9. NTRK

Fusões envolvendo os genes NTRK são raras, mas podem ocorrer em diferentes tipos de câncer.

Quando presentes, elas podem gerar proteínas TRK anormais envolvidas no crescimento tumoral.

Existem terapias desenvolvidas especificamente para tumores com determinadas fusões NTRK.

Essa é uma das situações que mostram por que painéis capazes de pesquisar múltiplas alterações podem ser importantes.

E o PD-L1? É um teste molecular?

O PD-L1 é um biomarcador extremamente importante no câncer de pulmão, mas existe uma diferença técnica relevante.

PD-L1 é uma proteína, e sua expressão geralmente é avaliada por um exame chamado imunohistoquímica.

Portanto, PD-L1 não deve ser apresentado simplesmente como uma “mutação genética”.

Na prática clínica, a avaliação de PD-L1 pode ser solicitada junto com os testes moleculares porque ambas as informações podem ajudar na escolha do tratamento.

Em determinados cenários, a quantidade de PD-L1 encontrada nas células tumorais contribui para decisões relacionadas à imunoterapia.

Por isso, é comum que pacientes recebam resultados de perfil molecular e PD-L1 durante a mesma etapa da investigação.

O que significa NGS no câncer de pulmão?

NGS é a sigla em inglês para Next-Generation Sequencing, ou sequenciamento de nova geração.

Essa tecnologia permite analisar vários genes e alterações em uma mesma investigação.

Em vez de realizar um exame separado para EGFR, outro para BRAF, outro para KRAS e assim sucessivamente, determinados painéis de NGS conseguem pesquisar diversos biomarcadores simultaneamente.

Isso pode ser particularmente útil quando existe pouco tecido disponível.

O tipo de painel varia de acordo com o laboratório.

Alguns avaliam dezenas de genes.

Outros analisam centenas.

Também existem diferenças quanto aos tipos de alterações que cada painel consegue detectar.

Por isso, dois testes chamados de “painel molecular” não necessariamente analisam exatamente as mesmas coisas.

NGS é melhor do que testar um gene de cada vez?

Não existe uma resposta única para todas as situações.

Painéis multigênicos possuem a vantagem de analisar várias alterações simultaneamente e podem reduzir a necessidade de consumir sucessivamente pequenas quantidades de uma amostra tumoral.

Por outro lado, a escolha da tecnologia depende do tipo de câncer, da quantidade de material, do objetivo clínico e da disponibilidade dos exames.

Em algumas circunstâncias, um teste direcionado para uma alteração específica pode ser adequado.

A estratégia deve ser definida pela equipe responsável.

Como é feito o teste molecular no câncer de pulmão?

O teste molecular no câncer de pulmão pode ser realizado utilizando material obtido do próprio tumor.

Esse tecido pode vir de:

  • uma biópsia;
  • broncoscopia;
  • biópsia guiada por imagem;
  • cirurgia;
  • material citológico;
  • outros procedimentos utilizados para obtenção de células tumorais.

Depois da coleta, uma parte da amostra pode ser utilizada para confirmar o diagnóstico e outra para testes adicionais.

A quantidade e qualidade do material são importantes.

Por isso, o planejamento da biópsia pode ter impacto não apenas na confirmação do câncer, mas também na possibilidade de realizar testes de biomarcadores.

É possível fazer o teste molecular pelo sangue?

Sim, em determinadas situações.

Esse método é conhecido como biópsia líquida.

Tumores podem liberar pequenas quantidades de material genético na circulação.

A análise do sangue pode procurar DNA tumoral circulante, frequentemente chamado de ctDNA.

Quando uma alteração relevante é encontrada, o resultado pode fornecer informações importantes sem que seja necessário obter naquele momento uma nova amostra do tumor.

Entretanto, a biópsia líquida possui limitações.

Resultado negativo na biópsia líquida significa que não existe mutação?

Não necessariamente.

Esse é um dos pontos mais importantes para pacientes e familiares compreenderem.

Um resultado negativo no sangue pode acontecer porque a quantidade de DNA tumoral circulante é muito pequena para ser detectada.

Portanto:

não encontrar uma alteração na biópsia líquida não significa automaticamente que o tumor não possui aquela alteração.

Dependendo da situação, a equipe médica pode considerar a análise do tecido tumoral quando isso for possível.

Por outro lado, quando uma alteração relevante é detectada de maneira adequada no sangue, a informação pode ser bastante útil para a decisão clínica.

Biópsia líquida substitui a biópsia do tumor?

Não em todas as situações.

A biópsia tradicional continua sendo fundamental porque permite analisar as células e confirmar o diagnóstico histológico.

Além disso, nem todos os tumores liberam quantidade suficiente de material genético no sangue para que todas as alterações sejam detectadas.

A biópsia líquida é uma ferramenta complementar muito importante, mas sua utilização depende do cenário clínico.

Teste molecular e teste genético hereditário são a mesma coisa?

Não.

Essa diferença precisa ficar muito clara.

O teste molecular no câncer de pulmão costuma procurar alterações presentes nas células tumorais.

Essas alterações são frequentemente chamadas de somáticas ou adquiridas.

Elas surgiram nas células durante a vida da pessoa e, em geral, não foram herdadas dos pais nem serão transmitidas aos filhos.

Um teste genético hereditário, também chamado de teste germinativo ou germline, possui outro objetivo.

Ele procura variantes presentes desde o nascimento que podem estar associadas à predisposição hereditária para determinadas doenças.

Portanto:

alteração encontrada no tumor ≠ alteração hereditária automaticamente.

Em algumas situações, um teste tumoral pode levantar a suspeita de uma variante hereditária. Nesse cenário, pode ser necessário realizar um teste germinativo específico para esclarecer a questão.

O teste molecular mostra se meus filhos terão câncer?

Não.

O resultado do teste do tumor não deve ser interpretado dessa maneira.

Grande parte das alterações encontradas em células cancerígenas é adquirida e existe apenas no tumor.

Quando existe suspeita de uma síndrome hereditária ou de uma variante germinativa, o médico pode recomendar avaliação genética específica.

Esse processo pode envolver aconselhamento genético e coleta de sangue ou saliva.

O que acontece quando uma alteração tratável é encontrada?

Encontrar um biomarcador associado a uma terapia pode modificar significativamente a estratégia terapêutica.

Mas o resultado não deve ser interpretado isoladamente.

A equipe precisa considerar:

  • qual alteração foi encontrada;
  • se ela realmente possui relevância terapêutica;
  • tipo e subtipo do câncer;
  • estágio da doença;
  • tratamentos já realizados;
  • condição geral do paciente;
  • indicação regulatória do medicamento;
  • possíveis contraindicações;
  • disponibilidade do tratamento;
  • possibilidade de estudos clínicos.

Duas alterações no mesmo gene também podem ter significados diferentes.

É por isso que interpretar apenas uma palavra destacada no laudo pode levar a conclusões incorretas.

O que é uma mutação acionável?

A expressão alteração acionável ou actionable mutation costuma ser utilizada quando uma alteração molecular pode levar a alguma ação clínica.

Isso pode significar, por exemplo, que existe uma terapia capaz de atuar sobre aquela alteração.

Entretanto, o termo precisa ser interpretado dentro do contexto.

Um biomarcador pode ter um tratamento aprovado para determinado estágio da doença e não para outro.

Também pode haver terapias sendo estudadas em pesquisas clínicas.

O que significa VUS no teste molecular?

Alguns laudos apresentam a expressão VUS, sigla de Variant of Uncertain Significance.

Em português, significa variante de significado incerto.

Isso acontece quando uma alteração genética é identificada, mas ainda não existem evidências suficientes para determinar claramente sua importância.

Uma VUS não deve ser tratada automaticamente como uma mutação que causa o câncer nem como uma indicação de terapia-alvo.

Seu significado pode mudar conforme novas evidências científicas são produzidas.

E se nenhuma alteração molecular for encontrada?

Um resultado sem alterações acionáveis não significa que não existe tratamento.

Câncer de pulmão pode ser tratado com diferentes estratégias, dependendo do caso.

Entre elas estão:

  • cirurgia;
  • radioterapia;
  • quimioterapia;
  • imunoterapia;
  • combinações dessas abordagens.

Além disso, um teste pode não detectar todas as alterações possíveis.

Isso pode ocorrer porque:

  • o painel não analisava determinado biomarcador;
  • havia pouca quantidade de tumor na amostra;
  • a qualidade do material era insuficiente;
  • determinada alteração não estava presente;
  • a tecnologia utilizada não detectava aquele tipo específico de alteração.

Por isso, o laudo precisa ser analisado pelo oncologista no contexto completo do diagnóstico.

Um teste molecular pode dar resultado inconclusivo?

Sim.

Em algumas situações, não existe material tumoral suficiente ou a qualidade da amostra não permite uma análise adequada.

O laudo pode indicar que o teste foi insuficiente, inconclusivo ou que determinado biomarcador não pôde ser avaliado.

Isso é diferente de um resultado verdadeiramente negativo.

Dependendo do caso, a equipe pode considerar:

  • utilizar outro bloco de tecido;
  • analisar outra amostra disponível;
  • realizar biópsia líquida;
  • obter uma nova biópsia;
  • utilizar outra metodologia.

O teste molecular precisa ser repetido?

Nem sempre.

Entretanto, o câncer pode sofrer mudanças ao longo do tratamento.

Sob pressão de determinadas terapias, algumas células tumorais podem desenvolver mecanismos de resistência.

Por isso, quando a doença progride após determinado tratamento, uma nova análise molecular pode ser considerada em situações específicas.

Essa avaliação pode ser realizada no tecido ou, dependendo do contexto, por biópsia líquida.

O objetivo pode ser identificar mecanismos que ajudem a explicar a resistência e verificar se existem novas possibilidades terapêuticas.

Todo paciente com câncer de pulmão precisa fazer teste molecular?

Não existe uma indicação idêntica para todos os pacientes.

A importância dos testes de biomarcadores é especialmente grande em determinados pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas.

A indicação depende de fatores como:

  • subtipo histológico;
  • estágio;
  • contexto do tratamento;
  • quantidade de tecido disponível;
  • características clínicas;
  • recomendações utilizadas pela equipe.

Além disso, conforme novos tratamentos são incorporados, os testes moleculares estão sendo utilizados em um número maior de situações, inclusive em alguns cenários de doença mais inicial.

Por isso, a decisão deve ser individualizada.

Quanto tempo leva para sair o teste molecular?

O prazo depende do tipo de teste, laboratório, qualidade da amostra e quantidade de análises solicitadas.

Um teste direcionado para uma única alteração pode ter um prazo diferente de um painel amplo de NGS.

Também pode existir tempo adicional para envio do bloco tumoral, preparação da amostra ou repetição de análises quando o material não possui qualidade suficiente.

Por isso, o prazo deve ser confirmado diretamente com o serviço responsável.

Por que o teste molecular pode mudar o tratamento?

Imagine dois pacientes com adenocarcinoma pulmonar metastático.

Um apresenta determinada alteração em EGFR.

Outro possui fusão de ALK.

Mesmo que tenham o mesmo diagnóstico histológico e estágio semelhante, a estratégia terapêutica pode ser diferente.

Esse é um exemplo da medicina de precisão.

O tratamento deixa de considerar apenas:

“onde está o câncer?”

e passa também a perguntar:

“quais mecanismos estão fazendo esse tumor crescer?”

O teste molecular no câncer de pulmão ajuda a responder parte dessa segunda pergunta.

Testes moleculares e imunoterapia são a mesma coisa?

Não.

O teste molecular procura principalmente alterações biológicas que podem ter implicações para terapias-alvo e outras decisões.

Já a imunoterapia atua estimulando ou liberando mecanismos do sistema imunológico para combater o câncer.

Biomarcadores como PD-L1 podem ajudar na avaliação da utilização de imunoterapia em determinadas situações.

Por isso, teste molecular, PD-L1, terapia-alvo e imunoterapia estão relacionados dentro da medicina personalizada, mas não significam a mesma coisa.

Testes moleculares também podem ajudar na pesquisa clínica?

Sim.

A pesquisa clínica está cada vez mais conectada aos biomarcadores.

Alguns estudos selecionam pacientes não apenas pelo órgão onde o câncer começou, mas também por uma alteração molecular específica.

Esses estudos podem investigar:

  • novos medicamentos para alterações já conhecidas;
  • terapias para mutações raras;
  • combinações de tratamentos;
  • mecanismos de resistência;
  • novas estratégias baseadas no perfil molecular.

Por isso, conhecer as características moleculares do tumor também pode ajudar a identificar pesquisas potencialmente compatíveis.

A elegibilidade, entretanto, sempre depende dos critérios completos de cada protocolo.

Que perguntas fazer ao oncologista sobre o teste molecular?

Depois de receber um diagnóstico, algumas perguntas podem ajudar a compreender melhor essa etapa:

  • meu tipo de câncer tem indicação de teste molecular?
  • quais biomarcadores serão pesquisados?
  • será feito um teste individual ou painel de NGS?
  • existe tecido suficiente da biópsia?
  • preciso realizar biópsia líquida?
  • o PD-L1 também será analisado?
  • alguma alteração encontrada possui tratamento específico?
  • o resultado interfere no tratamento inicial?
  • existe necessidade de repetir o teste futuramente?
  • meu resultado pode permitir avaliação para algum estudo clínico?

Anotar essas dúvidas antes da consulta pode facilitar a conversa com a equipe médica.

Perguntas frequentes sobre teste molecular no câncer de pulmão

Para que serve o teste molecular no câncer de pulmão?

O teste procura características do tumor que podem fornecer informações importantes para a escolha do tratamento. Em determinados pacientes, ele pode identificar biomarcadores associados a terapias-alvo ou pesquisas clínicas.

O que significa EGFR positivo no câncer de pulmão?

Significa que foi identificada uma alteração relacionada ao gene EGFR. É importante saber qual alteração específica está presente, porque diferentes variantes podem ter implicações terapêuticas distintas.

ALK e ROS1 são tipos de câncer?

Não. ALK e ROS1 são genes que podem apresentar alterações, principalmente fusões ou rearranjos, em determinados tumores.

KRAS positivo tem tratamento?

Existem tratamentos direcionados para determinadas alterações de KRAS, como KRAS G12C, em contextos específicos. O resultado precisa ser interpretado pelo oncologista considerando a alteração exata e o cenário clínico.

PD-L1 é uma mutação genética?

Não. PD-L1 é uma proteína. Sua expressão geralmente é avaliada por imunohistoquímica e pode contribuir para decisões relacionadas à imunoterapia.

O que significa NGS?

NGS significa sequenciamento de nova geração. A tecnologia permite pesquisar várias alterações moleculares simultaneamente em um painel.

Biópsia líquida consegue encontrar mutações?

Sim. Determinados testes conseguem detectar DNA tumoral circulante no sangue. Entretanto, um resultado negativo não exclui necessariamente a presença de uma alteração no tecido tumoral.

Biópsia líquida substitui a biópsia tradicional?

Não em todas as situações. A biópsia do tumor continua sendo importante para estabelecer o diagnóstico histológico e pode ser necessária quando a análise do sangue não fornece informações suficientes.

Teste molecular é igual a teste genético hereditário?

Não. O teste molecular do tumor geralmente procura alterações adquiridas nas células cancerígenas. O teste genético hereditário procura variantes presentes desde o nascimento que podem ser transmitidas entre gerações.

O teste molecular mostra se meus filhos terão câncer?

Não automaticamente. Alterações encontradas no tumor geralmente são somáticas. Quando existe suspeita de uma variante hereditária, pode ser necessária uma avaliação germinativa específica.

O que acontece se o teste não encontrar nenhuma mutação?

Isso não significa que não exista tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e outras abordagens continuam disponíveis conforme o tipo e o estágio da doença.

Todo câncer de pulmão precisa de NGS?

Não necessariamente. A indicação depende do tipo histológico, estágio, situação clínica e estratégia definida pela equipe médica.

O teste molecular pode precisar ser repetido?

Em determinadas situações, sim. Caso a doença progrida após um tratamento, uma nova análise pode ajudar a identificar alterações relacionadas à resistência ou novas possibilidades terapêuticas.

Conclusão

O teste molecular no câncer de pulmão é uma das ferramentas que mais transformaram a forma de compreender e tratar determinados tumores.

Hoje, o diagnóstico pode ir muito além de saber que uma pessoa possui “câncer de pulmão”.

É possível avaliar:

  • tipo histológico;
  • estágio;
  • alterações moleculares;
  • expressão de proteínas como PD-L1;
  • características individuais da doença.

Biomarcadores como EGFR, ALK, ROS1, KRAS, BRAF, MET, RET, HER2 e NTRK podem ter relevância terapêutica em determinados pacientes.

Mas encontrar uma alteração não significa automaticamente que um tratamento específico seja indicado.

O resultado precisa ser interpretado considerando o diagnóstico completo, estágio, tratamentos anteriores, condições clínicas e evidências disponíveis.

Da mesma maneira, um teste sem alterações acionáveis não significa ausência de opções terapêuticas.

O teste molecular no câncer de pulmão é uma ferramenta para ajudar na tomada de decisão — e não uma decisão isolada.

Pesquisa clínica e perfil molecular no câncer de pulmão

O CEPHO conduz pesquisas clínicas para diferentes perfis de pacientes com câncer de pulmão.

Em alguns protocolos, características como tipo histológico, estágio, tratamentos anteriores e perfil molecular do tumor podem fazer parte dos critérios utilizados para avaliar a elegibilidade.

Se você possui diagnóstico confirmado de câncer de pulmão, é possível realizar um pré-cadastro para que a equipe avalie se existe algum estudo compatível com as características do seu caso.

A realização do pré-cadastro não garante participação.

Cada estudo possui critérios específicos de inclusão e exclusão, e a elegibilidade precisa ser confirmada pela equipe responsável.

Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, aconselhamento genético ou orientação médica individualizada.

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