Como é feito o diagnóstico do câncer de pulmão?
O diagnóstico do câncer de pulmão não costuma depender de um único exame. A investigação geralmente acontece em etapas: começa pela avaliação dos sintomas e do histórico da pessoa, passa pelos exames de imagem e, quando existe uma alteração suspeita, pode ser necessário coletar uma amostra de tecido para análise.
Radiografia e tomografia computadorizada podem identificar nódulos, massas ou outras alterações no pulmão. Entretanto, uma imagem suspeita não significa, por si só, que exista câncer.
Na maioria dos casos, a confirmação é feita por meio da análise de células ou tecidos obtidos em uma biópsia. O material é examinado por um patologista para verificar se existem células cancerígenas e identificar o tipo de tumor.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o processo diagnóstico pode envolver exame físico, exames de imagem, broncoscopia, coleta de tecido para análise histopatológica e testes moleculares.
Entender essas etapas ajuda a responder uma das dúvidas mais frequentes de quem procura saber como detectar câncer de pulmão: encontrar uma alteração e confirmar que ela é um câncer são momentos diferentes da investigação.
Diagnóstico câncer de pulmão: por onde começa a investigação?
Quando existe suspeita de câncer de pulmão, o médico começa avaliando o histórico clínico.
Isso pode incluir perguntas sobre:
- sintomas atuais;
- quando os sintomas começaram;
- presença de tosse persistente ou mudança no padrão da tosse;
- falta de ar;
- dor no peito;
- sangue no catarro;
- perda de peso sem explicação;
- tabagismo atual ou anterior;
- exposição ao fumo passivo;
- exposições ocupacionais;
- histórico pessoal e familiar de doenças.
O exame físico também pode fazer parte dessa primeira avaliação.
Nem todas as pessoas chegam ao diagnóstico porque apresentavam sintomas. Em alguns casos, uma alteração pulmonar pode ser identificada em um exame realizado por outro motivo ou durante um programa de rastreamento de pessoas que apresentam maior risco.
A partir da avaliação inicial, o médico define quais exames são necessários.
Qual é o primeiro exame para câncer de pulmão?
Não existe uma sequência idêntica para todas as pessoas.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que radiografia de tórax e tomografia computadorizada de tórax estão entre os exames iniciais utilizados para avaliar um nódulo ou uma massa pulmonar.
Por isso, quando alguém procura na internet por “exame para câncer de pulmão”, é importante entender que alguns exames identificam alterações suspeitas, enquanto outros são utilizados para confirmar o diagnóstico ou verificar a extensão da doença.
Radiografia de tórax
A radiografia pode revelar áreas anormais nos pulmões, como massas ou outras alterações.
Ela é um exame bastante conhecido e pode ser uma das primeiras avaliações realizadas quando existem sintomas respiratórios.
Entretanto, a radiografia possui limitações.
Uma alteração encontrada no exame pode ter várias causas, incluindo infecções e outras doenças pulmonares. Além disso, tumores pequenos podem não ser identificados com a mesma precisão obtida por exames mais detalhados.
A American Cancer Society destaca que a radiografia pode ser utilizada inicialmente, mas uma alteração suspeita costuma levar à realização de novos exames.
Portanto, uma radiografia normal também não deve ser interpretada isoladamente como garantia de ausência de câncer, especialmente quando existem sintomas ou outros fatores que justificam investigação médica.
Tomografia computadorizada do tórax
A tomografia computadorizada, frequentemente chamada apenas de TC, produz imagens mais detalhadas do pulmão.
Ela pode ajudar a avaliar:
- tamanho de um nódulo ou massa;
- formato da alteração;
- localização;
- relação com estruturas próximas;
- presença de linfonodos aumentados;
- outras alterações no tórax.
A American Cancer Society explica que a tomografia é capaz de identificar tumores pulmonares com maior detalhamento do que uma radiografia convencional.
O INCA também inclui a tomografia entre os exames iniciais utilizados diante de um nódulo ou massa pulmonar.
A tomografia confirma o câncer de pulmão?
Não necessariamente.
Esse é um ponto fundamental para compreender os exames câncer de pulmão.
Uma tomografia pode mostrar uma lesão bastante suspeita, mas diversas alterações pulmonares podem ter aparência semelhante. Infecções, inflamações, cicatrizes e nódulos benignos também podem produzir imagens anormais.
Por isso, a imagem ajuda a identificar onde está a alteração e quais características ela possui, mas, em geral, não substitui a análise de células ou tecido necessária para confirmar o câncer.
O Manual MSD resume essa diferença ao explicar que a suspeita pode surgir a partir de radiografia ou tomografia, enquanto a confirmação depende da avaliação patológica de uma amostra.
Qual exame confirma o câncer de pulmão?
Na maioria dos casos, a confirmação é feita pela biópsia.
A biópsia consiste na retirada de células ou de uma pequena amostra de tecido da região suspeita. Esse material é encaminhado ao laboratório, onde um médico patologista analisa suas características.
O National Cancer Institute (NCI) afirma que, quando existe suspeita de câncer de pulmão de células não pequenas, uma biópsia é utilizada para procurar células cancerígenas e permitir a análise laboratorial do material.
A American Lung Association também explica que, para determinar se uma área suspeita realmente representa câncer de pulmão, é necessário estudar tecido ou líquido obtido do pulmão ou de regiões relacionadas.
Existem diferentes maneiras de obter essa amostra. A escolha depende principalmente da localização e das características da lesão.
Como é feita a biópsia do pulmão?
Nem toda biópsia pulmonar é feita da mesma forma.
O médico escolhe o procedimento considerando onde está a área suspeita, o tamanho da lesão, a condição clínica da pessoa e qual método pode fornecer uma amostra adequada com menor risco.
Entre as possibilidades estão:
Biópsia por agulha guiada por imagem
Nesse procedimento, uma agulha é introduzida através da parede do tórax até a área suspeita.
A tomografia computadorizada pode ser utilizada para orientar o posicionamento da agulha e ajudar o médico a chegar exatamente à região que precisa ser analisada.
O INCA destaca a biópsia pulmonar guiada por imagem como uma estratégia frequentemente utilizada para confirmação patológica, principalmente em lesões periféricas.
Broncoscopia
A broncoscopia permite observar a parte interna das vias respiratórias.
Durante o procedimento, um tubo fino e flexível chamado broncoscópio é introduzido pelas vias aéreas. O equipamento possui uma pequena câmera e pode permitir a retirada de material para biópsia.
Esse método pode ser particularmente útil em determinadas lesões localizadas mais próximas dos brônquios e das vias respiratórias centrais.
Ecobroncoscopia — EBUS
A ecobroncoscopia, conhecida pela sigla EBUS, combina broncoscopia e ultrassonografia.
Ela permite visualizar estruturas próximas das vias aéreas e coletar amostras, inclusive de determinados linfonodos localizados no tórax.
O INCA destaca a importância crescente do EBUS tanto para o diagnóstico quanto para o estadiamento do câncer de pulmão.
Outros procedimentos
Dependendo da situação, também podem ser utilizados procedimentos como:
- análise de líquido ao redor do pulmão;
- toracoscopia;
- biópsia de linfonodos;
- procedimentos cirúrgicos para obtenção de tecido.
Não existe uma técnica de biópsia que seja a melhor para todos os pacientes. A estratégia é escolhida individualmente.
O que acontece com o material retirado na biópsia?
A biópsia não serve apenas para responder se existe ou não câncer.
O tecido pode fornecer informações essenciais sobre qual tipo de câncer de pulmão está presente.
De forma geral, os tumores pulmonares são divididos em dois grandes grupos:
- câncer de pulmão de células não pequenas;
- câncer de pulmão de pequenas células.
Dentro desses grupos existem diferentes subtipos.
Essa classificação é importante porque o tratamento não é igual para todos os tumores.
Além da avaliação microscópica tradicional, em determinadas situações o tecido pode passar por testes moleculares e de biomarcadores.
O NCI explica que testes moleculares podem procurar alterações em genes, proteínas e outras moléculas relacionadas ao câncer de pulmão de células não pequenas. Essas informações podem contribuir para a escolha do tratamento.
A OMS também inclui os testes moleculares entre os recursos utilizados atualmente para identificar alterações genéticas ou biomarcadores que podem ajudar a orientar a estratégia terapêutica.
Para que serve o PET-CT?
O PET-CT combina informações da tomografia computadorizada com informações sobre a atividade metabólica dos tecidos.
Após uma suspeita ou confirmação de câncer, ele pode ajudar principalmente a investigar a extensão da doença.
Isso significa avaliar se existem sinais de comprometimento de:
- linfonodos;
- outras regiões do tórax;
- ossos;
- glândulas adrenais;
- fígado;
- outros locais.
O PET-CT é, portanto, particularmente importante no estadiamento, que é o processo utilizado para descobrir até onde a doença se espalhou.
O INCA cita PET-CT entre os exames empregados para avaliar a extensão do câncer de pulmão.
O NCI também inclui o PET ou PET-CT entre os métodos utilizados após o diagnóstico para investigar disseminação da doença.
É importante destacar que um PET-CT alterado não deve ser interpretado sozinho como confirmação de câncer. Processos inflamatórios também podem apresentar aumento de atividade metabólica.
Por que pode ser necessária uma ressonância do cérebro?
O câncer de pulmão pode se disseminar para outras partes do organismo.
Em determinados casos, uma ressonância magnética do cérebro é solicitada para investigar possíveis metástases e completar o estadiamento.
A necessidade do exame depende de fatores como tipo do tumor, estágio provável, sintomas e características do caso.
INCA, NCI e outras referências clínicas incluem a ressonância cerebral entre os exames que podem ser utilizados na avaliação da extensão da doença.
Exame de sangue detecta câncer de pulmão?
Atualmente, não existe um exame de sangue de rotina que, sozinho, confirme todos os casos de câncer de pulmão.
Exames laboratoriais podem fazer parte da investigação para avaliar a condição geral do paciente, função de órgãos e outras alterações, mas o diagnóstico normalmente depende de exames de imagem associados à análise de células ou tecido.
Em algumas situações específicas, pode ser utilizada a chamada biópsia líquida, que procura fragmentos de material genético tumoral no sangue.
Esse recurso pode ajudar principalmente na identificação de determinadas alterações moleculares e na escolha de tratamentos em alguns pacientes. Ele não deve, entretanto, ser entendido como substituto universal da avaliação médica, dos exames de imagem e da biópsia de tecido.
Diagnóstico e rastreamento são a mesma coisa?
Não.
Essa diferença é muito importante para quem procura entender como detectar câncer de pulmão.
Diagnóstico é a investigação realizada quando já existe uma alteração suspeita, um sintoma ou um achado que precisa ser esclarecido.
Rastreamento procura encontrar câncer em pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas pertencem a determinados grupos com risco aumentado.
Para o rastreamento, a estratégia estudada e recomendada em grupos específicos de alto risco é a tomografia computadorizada de baixa dose.
O INCA destaca que não existe recomendação para rastrear toda a população brasileira indiscriminadamente. Diretrizes internacionais consideram o rastreamento com tomografia de baixa dose para determinados grupos com histórico importante de tabagismo, após avaliação individual dos benefícios e riscos.
Isso significa que uma pessoa que apresenta sintomas não deve simplesmente procurar um exame de rastreamento: ela precisa de avaliação diagnóstica adequada.
Quais são as etapas do diagnóstico do câncer de pulmão?
Embora o caminho possa variar, de forma simplificada a investigação pode seguir esta sequência:
- Avaliação médica: sintomas, histórico de saúde e fatores de risco.
- Exames de imagem: geralmente radiografia e/ou tomografia, de acordo com o caso.
- Investigação da alteração encontrada: análise detalhada do nódulo ou massa.
- Coleta de material: biópsia por agulha, broncoscopia, EBUS ou outro procedimento apropriado.
- Análise patológica: confirmação ou exclusão da presença de células cancerígenas.
- Classificação do tumor: identificação do tipo e subtipo.
- Testes moleculares quando indicados: identificação de biomarcadores relevantes.
- Estadiamento: exames para verificar se e até onde a doença se espalhou.
- Planejamento do tratamento: discussão das alternativas de acordo com tipo, estágio e características da pessoa.
Por que o diagnóstico completo é tão importante?
Confirmar que existe câncer é apenas parte do processo.
Para definir o tratamento, a equipe precisa saber:
- qual tipo de câncer está presente;
- onde ele começou;
- tamanho e localização;
- se existem linfonodos comprometidos;
- se houve disseminação para outros órgãos;
- quais características moleculares o tumor possui, quando aplicável;
- qual é a condição clínica geral da pessoa.
Por isso, duas pessoas com câncer de pulmão podem realizar sequências diferentes de exames.
O processo diagnóstico precisa fornecer informações suficientes para que a estratégia de tratamento seja escolhida de maneira individualizada.
Perguntas frequentes sobre os exames para câncer de pulmão
Qual exame detecta câncer de pulmão?
Radiografia e principalmente tomografia computadorizada podem identificar alterações suspeitas. Porém, identificar uma alteração não é o mesmo que confirmar câncer.
Qual exame confirma câncer de pulmão?
Na maioria dos casos, a confirmação depende de uma biópsia e da análise do material por um patologista.
A tomografia consegue mostrar um tumor pequeno?
A tomografia fornece imagens mais detalhadas do pulmão e pode identificar alterações que não aparecem claramente em uma radiografia. Ainda assim, uma imagem suspeita pode precisar de investigação complementar.
Um raio-X normal descarta câncer de pulmão?
Não necessariamente. A radiografia possui limitações e pode não mostrar determinadas lesões. Se houver sintomas persistentes ou uma suspeita clínica relevante, o médico poderá solicitar outros exames.
PET-CT confirma câncer?
Não sozinho. O PET-CT é muito útil para avaliar atividade metabólica e extensão da doença, principalmente durante o estadiamento, mas alterações inflamatórias também podem aparecer no exame.
Exame de sangue pode diagnosticar câncer de pulmão?
Exames de sangue convencionais não confirmam o câncer de pulmão isoladamente. Testes moleculares no sangue podem ser utilizados em situações específicas, mas fazem parte de uma investigação mais ampla.
Como detectar câncer de pulmão mais cedo?
Reconhecer sintomas persistentes e procurar avaliação médica ajuda no diagnóstico precoce. Para determinados indivíduos sem sintomas, mas com alto risco relacionado principalmente ao histórico de tabagismo, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode ser discutido com um profissional de saúde.
Conclusão
O diagnóstico do câncer de pulmão é realizado em diferentes etapas e não depende de um único exame.
Radiografia e tomografia podem revelar alterações suspeitas. A broncoscopia, a biópsia guiada por imagem, o EBUS e outros procedimentos podem ser utilizados para obter células ou tecido. Na maioria dos casos, é a análise desse material que permite confirmar a presença do câncer e identificar seu tipo.
Depois da confirmação, exames como PET-CT, tomografias e, quando indicado, ressonância do cérebro ajudam a determinar a extensão da doença. Testes moleculares também podem fornecer informações importantes para a escolha do tratamento.
Por isso, ao pensar em como detectar câncer de pulmão, é importante não procurar apenas um “exame definitivo”. O diagnóstico é um processo que reúne sintomas, histórico médico, imagens, análise patológica e características específicas do tumor.
Quanto antes uma alteração suspeita for adequadamente investigada, mais rapidamente a equipe médica poderá definir os próximos passos.
Está com sintomas persistentes ou recebeu um resultado de exame com alguma alteração no pulmão?
Uma alteração em uma radiografia ou tomografia não significa automaticamente câncer. Procure avaliação médica para entender o resultado e verificar se existe necessidade de investigação complementar.
Acompanhe os conteúdos do CEPHO para encontrar informações confiáveis sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa clínica em oncologia.


Andrea Kazumi Shimada
Danielle Mauricio Cabral Amaro