A terapia-alvo no câncer de pulmão é um tratamento desenvolvido para atuar sobre características específicas das células cancerígenas. Em determinados pacientes, descobrir uma alteração molecular no tumor pode mudar significativamente a estratégia terapêutica.
Isso acontece porque cânceres aparentemente semelhantes ao microscópio podem possuir mecanismos biológicos diferentes.
Um adenocarcinoma com alteração em EGFR, por exemplo, não é biologicamente idêntico a outro com fusão de ALK ou mutação KRAS G12C.
É por isso que o teste molecular ganhou tanta importância.
O que é terapia-alvo no câncer de pulmão?
A terapia-alvo no câncer de pulmão utiliza medicamentos desenvolvidos para interferir em determinados mecanismos que favorecem o crescimento das células tumorais.
Esses mecanismos podem ser provocados por alterações em genes ou proteínas.
Quando uma alteração relevante é identificada e existe um medicamento capaz de atingir esse alvo, uma terapia direcionada pode ser considerada.
Terapia-alvo é a mesma coisa que quimioterapia?
Não.
A quimioterapia interfere principalmente na multiplicação de células.
Já uma terapia-alvo procura bloquear um mecanismo molecular específico que está contribuindo para o crescimento do tumor.
Isso também faz com que seus efeitos adversos possam ser diferentes dos efeitos típicos da quimioterapia.
Nenhuma dessas estratégias é automaticamente “melhor”.
A escolha depende das características do câncer.
Por que fazer teste molecular antes da terapia-alvo?
Para utilizar uma terapia direcionada, geralmente é necessário demonstrar que o tumor possui o alvo correspondente.
Por isso, o perfil molecular pode pesquisar diferentes alterações.
Leia nosso guia completo sobre teste molecular no câncer de pulmão: 9 biomarcadores importantes.
Quais alterações podem levar a uma terapia-alvo?
Existem diferentes alterações relevantes em câncer de pulmão de células não pequenas.
1. EGFR
Alterações ativadoras de EGFR estão entre os exemplos mais conhecidos.
Existem diferentes mutações, e elas não possuem exatamente a mesma implicação.
Exemplos incluem deleções no éxon 19, L858R e inserções no éxon 20.
Por isso, não basta saber apenas que “EGFR apareceu no exame”.
É necessário conhecer a variante específica.
2. ALK
Alguns tumores apresentam fusões envolvendo ALK.
Existem medicamentos inibidores de ALK desenvolvidos especificamente para esses cânceres.
3. ROS1
Fusões de ROS1 aparecem em uma parcela menor dos casos, mas são clinicamente relevantes porque existem terapias direcionadas.
4. KRAS G12C
KRAS pode apresentar diferentes mutações.
A alteração KRAS G12C possui tratamentos direcionados em determinados contextos.
Outras variantes de KRAS não devem ser tratadas como se fossem equivalentes à G12C.
5. BRAF V600E
BRAF também possui diferentes alterações.
BRAF V600E é uma das mais conhecidas por possuir estratégias terapêuticas específicas.
6. MET exon 14
A alteração conhecida como MET exon 14 skipping pode permitir a utilização de tratamentos direcionados em pacientes selecionados.
7. RET
Fusões envolvendo RET podem atuar como importantes mecanismos de crescimento tumoral e possuem terapias específicas.
8. NTRK
Fusões NTRK são raras, mas podem ocorrer em diferentes tumores e possuem medicamentos capazes de atuar sobre proteínas TRK anormais.
9. HER2
Alterações envolvendo HER2, também conhecido como ERBB2, também podem ter relevância terapêutica no câncer de pulmão.
Mutação, amplificação e expressão da proteína HER2 são fenômenos distintos e precisam ser corretamente identificados.
Terapia-alvo é comprimido?
Muitas terapias-alvo utilizadas no câncer de pulmão são administradas por via oral, mas isso não é uma regra universal.
Existem também medicamentos administrados por via intravenosa.
Forma de administração, dose e intervalo dependem do medicamento.
Terapia-alvo funciona apenas no câncer metastático?
Não necessariamente.
A terapia-alvo no câncer de pulmão tornou-se particularmente conhecida no cenário avançado e metastático, mas determinados medicamentos também passaram a ser utilizados em outros estágios e contextos.
A indicação depende da alteração molecular, estágio e evidências disponíveis para aquele cenário.
O que acontece quando a terapia-alvo para de funcionar?
Células tumorais podem evoluir e desenvolver mecanismos de resistência.
Isso significa que, mesmo quando um tratamento funciona inicialmente, determinadas células podem adquirir ou selecionar características que permitem o crescimento da doença novamente.
Quando isso acontece, a equipe pode considerar:
- repetir exames de imagem;
- realizar novo teste molecular;
- analisar uma nova biópsia;
- utilizar biópsia líquida;
- alterar a estratégia terapêutica;
- avaliar pesquisa clínica.
A escolha depende do contexto.
Terapia-alvo tem efeitos colaterais?
Sim.
“Direcionada” não significa “sem efeitos adversos”.
Os efeitos variam muito conforme o medicamento.
Podem ocorrer, dependendo da terapia:
- alterações de pele;
- diarreia;
- cansaço;
- alterações hepáticas;
- alterações cardiovasculares;
- inflamação pulmonar;
- alterações gastrointestinais;
- outros efeitos específicos.
Por isso, o acompanhamento continua sendo necessário.
Alteração molecular significa que o câncer é hereditário?
Não automaticamente.
Grande parte das alterações identificadas no tumor é adquirida pelas próprias células cancerígenas.
Essas alterações são chamadas de somáticas.
Elas são diferentes das variantes germinativas presentes desde o nascimento.
Em situações específicas, um achado no tumor pode levar à indicação de investigação genética adicional, mas uma coisa não deve ser confundida com a outra.
Terapia-alvo e imunoterapia são a mesma coisa?
Não.
A terapia-alvo atua sobre determinados mecanismos do tumor.
A imunoterapia procura modificar a relação entre o câncer e o sistema imunológico.
Além disso, a presença de determinadas alterações moleculares pode influenciar a ordem e a seleção das estratégias utilizadas.
Por isso, o teste molecular pode ser importante antes da definição de alguns tratamentos.
Perguntas frequentes
Terapia-alvo cura câncer de pulmão?
O objetivo depende do estágio e do contexto clínico. Em determinados cenários, terapias-alvo fazem parte de estratégias para reduzir o risco de recorrência; em doença avançada, podem controlar o câncer por períodos variáveis.
EGFR positivo sempre recebe o mesmo medicamento?
Não. Existem diferentes alterações de EGFR e diferentes cenários clínicos.
ALK positivo é um tipo de câncer?
Não. ALK é um biomarcador que pode apresentar uma fusão em alguns tumores.
Terapia-alvo funciona sem mutação?
Depende da terapia. Grande parte dos tratamentos direcionados exige demonstração de uma alteração ou alvo específico.
Terapia-alvo pode parar de funcionar?
Sim. O câncer pode desenvolver mecanismos de resistência ao longo do tratamento.
Precisa repetir o teste molecular?
Em determinados casos de progressão, uma nova avaliação molecular pode ser considerada para procurar mecanismos de resistência ou novas possibilidades terapêuticas.
Conclusão
A terapia-alvo no câncer de pulmão representa uma das principais aplicações da medicina de precisão.
Em vez de considerar apenas o órgão onde o câncer surgiu, a equipe pode investigar mecanismos moleculares que contribuem para o crescimento daquele tumor específico.
Alterações como EGFR, ALK, ROS1, KRAS G12C, BRAF V600E, MET exon 14, RET, NTRK e HER2 estão entre os exemplos que podem ter implicações terapêuticas.
Isso explica por que realizar testes adequados pode ser tão importante antes da escolha de determinadas estratégias.
Pesquisa clínica no CEPHO
O perfil molecular também pode ser utilizado como critério em pesquisas clínicas.
O CEPHO conduz estudos para diferentes perfis de câncer de pulmão. Pacientes com diagnóstico confirmado podem realizar um pré-cadastro para avaliação.
A existência de uma alteração molecular não garante elegibilidade. Cada protocolo possui critérios próprios.
Conteúdo informativo. Não substitui orientação médica individualizada.
Andrea Kazumi Shimada
Danielle Mauricio Cabral Amaro