Os estágios do câncer de pulmão ajudam a mostrar a extensão da doença no organismo. Depois da confirmação do diagnóstico, saber se o câncer está no estágio 1, 2, 3 ou 4 é uma das informações mais importantes para que a equipe médica possa planejar o tratamento.

Mas esses números não devem ser interpretados simplesmente como uma escala de “leve” a “grave”.

O estadiamento do câncer de pulmão considera diferentes características do tumor, o possível comprometimento de linfonodos e a presença ou ausência de disseminação para outras regiões.

Além disso, o estágio não é a única informação considerada na oncologia atual. Tipo histológico, características moleculares, biomarcadores, condições clínicas e resposta ao tratamento também podem influenciar as decisões.

Neste conteúdo, você vai entender

O que são os estágios do câncer de pulmão?

Os estágios do câncer de pulmão descrevem a extensão anatômica da doença.

Em outras palavras, o estadiamento procura responder a perguntas como:

Segundo o INCA, estadiar um câncer significa avaliar seu grau de disseminação.

Essa informação é importante porque ajuda a equipe a planejar o tratamento e também contribui para a avaliação do prognóstico.

No câncer de pulmão de células não pequenas, uma das principais formas de realizar essa classificação é o sistema TNM.

Como funciona o sistema TNM no câncer de pulmão?

O sistema TNM organiza diferentes informações sobre o câncer.

As letras significam:

T — Tumor: descreve características do tumor primário, incluindo tamanho e invasão de determinadas estruturas próximas.

N — Nodes, ou linfonodos: indica se existem linfonodos regionais comprometidos e quais regiões linfonodais foram atingidas.

M — Metástase: mostra se existe disseminação considerada metastática e como ela se apresenta.

A combinação das categorias T, N e M permite definir os estágios do câncer de pulmão.

Isso explica por que dois tumores do mesmo tamanho não necessariamente pertencem ao mesmo estágio.

Se um deles apresenta comprometimento de determinados linfonodos e o outro não, por exemplo, a classificação pode ser diferente.

O que mudou na 9ª edição do TNM?

Em 2025, foi publicada a 9ª edição do sistema TNM utilizado no estadiamento do câncer de pulmão.

Segundo o INCA e a International Association for the Study of Lung Cancer — IASLC, algumas das principais mudanças envolvem as categorias de linfonodos e metástases.

N2 passou a ser dividido em N2a e N2b

A categoria N2 envolve determinados linfonodos do mediastino e/ou região subcarinal do mesmo lado do tumor.

Na nova classificação, ela pode ser subdividida em:

N2a: comprometimento de uma única estação linfonodal N2.

N2b: comprometimento de múltiplas estações N2.

Essa distinção ajuda a representar melhor diferenças prognósticas entre diferentes padrões de envolvimento linfonodal.

M1c passou a ser dividido em M1c1 e M1c2

Outra mudança importante ocorreu na descrição das metástases.

M1c1: múltiplas metástases extratorácicas em um único sistema de órgão.

M1c2: múltiplas metástases envolvendo mais de um sistema de órgãos.

A 9ª edição também modificou alguns agrupamentos entre as combinações TNM e os estágios finais.

Para o paciente, o mais importante é saber que o número do estágio não é definido apenas pelo tamanho do tumor.

Existe estágio 0 no câncer de pulmão?

Sim.

Embora normalmente as buscas se concentrem nos estágios do câncer de pulmão 1, 2, 3 e 4, existe também o estágio 0 em determinados cânceres de células não pequenas.

O estágio 0 corresponde ao carcinoma in situ.

Nesse cenário, células anormais estão presentes, mas ainda não existe o padrão de invasão observado nos tumores invasivos.

É uma situação diferente do câncer de pulmão estágio 1.

Câncer de pulmão estágio 1: o que significa?

No câncer de pulmão estágio 1, a doença encontra-se mais localizada.

De maneira geral, o tumor está no pulmão e não apresenta comprometimento dos linfonodos regionais que levaria a estágios mais avançados.

Na 9ª edição do TNM, o estágio I é dividido em:

Essas subdivisões levam em consideração principalmente determinadas características e o tamanho do tumor.

Por isso, duas pessoas com câncer de pulmão estágio 1 podem apresentar tumores com dimensões diferentes e receber estratégias terapêuticas distintas.

Câncer de pulmão estágio 1 tem tratamento?

Sim.

Em pacientes selecionados, a cirurgia pode fazer parte de uma estratégia com intenção curativa.

Dependendo das características do caso, outros tratamentos também podem ser considerados.

Para pacientes que não podem realizar cirurgia, por exemplo, determinadas técnicas de radioterapia podem ser avaliadas.

A estratégia depende do tipo de câncer, tamanho e localização do tumor, condições pulmonares, estado geral de saúde e outros fatores.

Por isso, estar no estágio 1 não significa que todos receberão exatamente o mesmo tratamento.

Câncer de pulmão estágio 2: o que significa?

O câncer de pulmão estágio 2 ainda pode apresentar características que possibilitam tratamento com intenção curativa em determinados pacientes, mas sua classificação envolve combinações diferentes de tamanho, extensão local e/ou comprometimento de linfonodos.

O estágio II é subdividido em:

Com a 9ª edição do TNM, algumas combinações foram reclassificadas.

Por exemplo, determinadas situações com tumor T1 e comprometimento N1 passaram a integrar o estágio IIA.

Isso mostra por que não é adequado tentar descobrir o estágio apenas olhando o tamanho do tumor descrito na tomografia.

Como pode ser o tratamento do estágio 2?

Dependendo das características do paciente e do tumor, podem ser discutidas estratégias como:

Tratamentos podem ser realizados antes da cirurgia, situação conhecida como neoadjuvância, ou depois dela, chamada adjuvância.

A decisão depende de uma avaliação individualizada.

Câncer de pulmão estágio 3: o que significa?

O câncer de pulmão estágio 3 reúne uma grande variedade de situações.

Por isso, é considerado um dos grupos mais heterogêneos entre os estágios do câncer de pulmão.

Ele é subdividido em:

Alguns pacientes podem apresentar maior comprometimento de linfonodos.

Outros podem ter tumores que invadem determinadas estruturas próximas.

A localização dos linfonodos envolvidos também é importante.

Por isso, duas pessoas classificadas como estágio 3 podem apresentar situações bastante diferentes.

Estágio 3 significa que não pode operar?

Não necessariamente.

Alguns casos de estágio III podem ser considerados ressecáveis, enquanto outros não são candidatos à cirurgia.

A decisão pode depender de fatores como:

Por isso, a avaliação de uma equipe multidisciplinar ganha importância especial no estágio 3.

Oncologista, cirurgião torácico, pneumologista, radio-oncologista, radiologista e outros profissionais podem participar da discussão.

Como é tratado o câncer de pulmão estágio 3?

Não existe um único “tratamento do estágio 3”.

Dependendo da situação, podem ser utilizados:

A possibilidade e a sequência dos tratamentos dependem das características da doença.

Câncer de pulmão estágio 4: o que significa?

O câncer de pulmão estágio 4 é classificado como doença metastática dentro do sistema TNM.

Isso ocorre quando existe uma categoria M1.

Entretanto, o estágio 4 também possui subdivisões e não representa uma única situação clínica.

Na 9ª edição, os principais grupos são:

O que significa estágio IVA?

O estágio IVA pode incluir, dependendo da classificação TNM:

Por isso, doença metastática não significa necessariamente que existam inúmeros tumores espalhados por vários órgãos.

O que significa estágio IVB?

O estágio IVB envolve múltiplas metástases extratorácicas.

A 9ª edição subdividiu a categoria M1c em:

M1c1: múltiplas metástases em um único sistema de órgão.

M1c2: múltiplas metástases em diferentes sistemas de órgãos.

Essa mudança reconhece que existem diferentes padrões de doença metastática.

Câncer de pulmão estágio 4 significa fase terminal?

Não necessariamente.

Estágio 4 e terminalidade não são sinônimos.

Essa é uma distinção muito importante.

O estágio descreve principalmente a extensão da doença.

Terminalidade é uma condição clínica muito mais ampla e não pode ser determinada apenas pelo número do estágio.

Uma pessoa com câncer de pulmão estágio 4 pode estar em tratamento e apresentar resposta ou controle da doença por determinado período.

A evolução depende de vários fatores, incluindo:

A oncologia do câncer de pulmão avançado também mudou significativamente com a utilização de terapias-alvo e imunoterapia em pacientes selecionados.

Por isso, o prognóstico precisa ser discutido individualmente com a equipe médica.

Onde o câncer de pulmão pode dar metástase?

O câncer de pulmão pode se disseminar para diferentes regiões do organismo.

Entre os locais que podem ser atingidos estão:

Isso não significa que todas as pessoas com câncer de pulmão avançado apresentarão metástases nesses locais.

Os padrões variam de paciente para paciente.

Os estágios do câncer de pulmão são iguais para todos os tipos?

Não exatamente.

A divisão em estágios I, II, III e IV é muito utilizada no câncer de pulmão de células não pequenas.

No câncer de pulmão de células pequenas existe uma particularidade.

Além do sistema TNM, é comum utilizar uma classificação clínica em:

O que é câncer de pequenas células em estágio limitado?

De maneira geral, no estágio limitado a doença está restrita a uma região que pode ser abrangida por determinado campo de radioterapia.

Ela pode envolver o pulmão onde o tumor começou e determinadas regiões próximas, incluindo alguns linfonodos.

O que é câncer de pequenas células em estágio extenso?

No estágio extenso, a doença ultrapassou os limites utilizados para definir o estágio limitado e apresenta distribuição mais ampla.

Metástases a distância são consideradas doença extensa.

Por isso, uma pessoa com câncer de pulmão de pequenas células pode ouvir os termos “limitado” e “extenso” em vez de apenas estágio 1, 2, 3 ou 4.

Quais exames ajudam a definir os estágios do câncer de pulmão?

O estadiamento do câncer de pulmão pode envolver diferentes exames e procedimentos.

A escolha depende das características de cada caso.

Entre os métodos que podem fazer parte da investigação estão:

Tomografia computadorizada

A tomografia ajuda a avaliar o tumor no pulmão, estruturas próximas, linfonodos e outras regiões do tórax e abdome.

É um dos exames fundamentais no processo de estadiamento.

PET-CT

O PET-CT combina informações metabólicas e anatômicas.

Em situações apropriadas, pode ajudar a identificar áreas suspeitas de comprometimento tumoral que precisam ser analisadas.

Ressonância magnética do crânio

A ressonância pode ser utilizada para investigar a presença de lesões no sistema nervoso central em determinados pacientes.

EBUS e EUS-B

A ecobroncoscopia, conhecida como EBUS, e determinados procedimentos relacionados podem ajudar a avaliar e coletar amostras de linfonodos do mediastino.

A análise desses linfonodos pode modificar o estágio da doença e, consequentemente, a estratégia terapêutica.

Mediastinoscopia

Em situações selecionadas, a mediastinoscopia pode ser utilizada para avaliar linfonodos mediastinais.

Biópsia de possíveis metástases

Quando existe uma lesão suspeita em outro órgão, em determinadas situações pode ser necessário obter uma amostra para confirmar se aquela alteração realmente representa disseminação do câncer de pulmão.

O estágio pode mudar depois de novos exames?

Sim.

Existe uma diferença importante entre o estadiamento clínico e o estadiamento patológico.

O estágio clínico é determinado a partir das informações disponíveis antes de determinados tratamentos, utilizando exames, biópsias e avaliação médica.

Quando o paciente realiza cirurgia, a análise completa do tumor removido e dos linfonodos pode fornecer informações adicionais.

Com isso, o estadiamento patológico pode ser mais preciso e, em determinadas situações, diferente da estimativa inicial.

Também pode acontecer de um exame complementar encontrar uma alteração que não havia sido identificada anteriormente.

Por isso, mudanças na classificação durante a investigação não significam necessariamente que a doença piorou naquele intervalo.

Às vezes, simplesmente existem agora mais informações disponíveis.

Estágio e grau do câncer são a mesma coisa?

Não.

Estágio descreve principalmente quanto a doença se espalhou.

Grau está relacionado às características das células tumorais observadas ao microscópio e ao quanto elas se diferenciam do tecido normal.

São conceitos diferentes.

Além disso, o câncer de pulmão pode ser classificado segundo seu tipo histológico e perfil molecular.

Todas essas informações podem contribuir para compreender melhor a doença.

O estágio é a única informação que define o tratamento?

Não.

Os estágios do câncer de pulmão são extremamente importantes, mas representam apenas uma parte da decisão.

O tratamento moderno pode considerar:

No câncer de pulmão de células não pequenas, por exemplo, determinados biomarcadores podem influenciar significativamente a escolha do tratamento.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas no mesmo estágio podem receber estratégias diferentes.

Duas pessoas no mesmo estágio podem ter prognósticos diferentes?

Sim.

O estágio ajuda a estimar o comportamento da doença em grupos de pacientes, mas não consegue prever exatamente o que acontecerá com uma pessoa.

Além dos estágios do câncer de pulmão, o prognóstico pode ser influenciado por:

Por isso, estatísticas encontradas na internet não devem ser usadas para tentar prever individualmente a evolução da doença.

Perguntas frequentes sobre os estágios do câncer de pulmão

Quais são os estágios do câncer de pulmão?

No câncer de pulmão de células não pequenas, a classificação pode incluir estágio 0 e os estágios I, II, III e IV, com diferentes subdivisões. O sistema TNM ajuda a determinar essas categorias.

Qual é o estágio inicial do câncer de pulmão?

Os estágios mais iniciais correspondem às situações em que a doença está mais localizada. O estágio I é dividido em IA1, IA2, IA3 e IB na 9ª edição do TNM.

Câncer de pulmão estágio 1 tem cura?

Pacientes com doença em estágio inicial podem ter possibilidade de tratamento com intenção curativa. Entretanto, não é possível garantir individualmente a cura apenas pelo estágio.

O que significa câncer de pulmão estágio 2?

O estágio II reúne diferentes combinações relacionadas ao tumor e, em alguns casos, ao comprometimento de linfonodos próximos. Ele é dividido em IIA e IIB.

O que significa câncer de pulmão estágio 3?

O estágio III representa diferentes cenários de doença local e regional mais avançada. Possui as subdivisões IIIA, IIIB e IIIC e é uma categoria bastante heterogênea.

Câncer de pulmão estágio 3 pode operar?

Alguns casos podem ser candidatos à cirurgia e outros não. A decisão depende da anatomia da doença, dos linfonodos envolvidos, da condição clínica e de outros fatores.

Câncer de pulmão estágio 4 é metástase?

Sim. O estágio IV corresponde a uma categoria M1 no sistema TNM. Isso pode incluir diferentes padrões de disseminação, desde determinadas alterações intratorácicas até uma ou múltiplas metástases extratorácicas.

Estágio 4 significa que o paciente está em fase terminal?

Não. Estágio 4 descreve a extensão da doença e não é sinônimo automático de terminalidade. A situação clínica e o prognóstico dependem de diversos outros fatores.

Câncer de pulmão estágio 4 tem tratamento?

Sim. Existem diferentes estratégias para câncer de pulmão avançado, que podem incluir quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, radioterapia e outras abordagens conforme as características do tumor e do paciente.

Para que serve o TNM?

O TNM descreve características do tumor primário (T), comprometimento de linfonodos regionais (N) e presença e padrão de metástases (M). A combinação dessas informações ajuda a determinar o estágio.

Qual exame mostra o estágio do câncer de pulmão?

Não existe necessariamente um único exame que determine todo o estágio. Tomografia, PET-CT, ressonância, avaliação de linfonodos e procedimentos para obtenção de tecido podem ser combinados.

O estágio do câncer pode mudar?

Sim. Novos exames ou informações obtidas após uma cirurgia podem modificar ou tornar mais preciso o estadiamento inicialmente estabelecido.

Conclusão

Conhecer os estágios do câncer de pulmão ajuda a compreender a extensão da doença e por que o tratamento pode variar tanto entre pacientes.

Os estágios 1, 2, 3 e 4 não devem ser vistos simplesmente como uma escala linear de “pouco grave” para “muito grave”.

O estadiamento resulta da combinação de informações sobre tumor, linfonodos e metástases.

Além disso, a 9ª edição do TNM, publicada em 2025, tornou essa classificação ainda mais detalhada, incluindo mudanças nas categorias N2 e M1c e em determinados agrupamentos de estágio.

Mesmo assim, o estágio não conta toda a história.

Tipo histológico, biomarcadores, alterações moleculares, condições clínicas e resposta aos tratamentos precisam ser considerados em conjunto.

Por isso, o resultado do estadiamento deve ser interpretado pela equipe responsável pelo tratamento.

Comparar apenas o número do estágio com relatos de outras pessoas ou estatísticas encontradas na internet pode gerar conclusões que não correspondem à situação individual.

Pesquisa clínica e câncer de pulmão

O CEPHO conduz pesquisas clínicas relacionadas ao câncer de pulmão.

Se você já possui diagnóstico confirmado, é possível realizar um pré-cadastro para que a equipe avalie a possibilidade de existência de um estudo compatível com as características do caso.

Informações como estágio do câncer de pulmão, tipo histológico, biomarcadores, tratamentos anteriores e condições clínicas podem fazer parte dos critérios de um protocolo.

O pré-cadastro não garante participação.

Cada estudo possui critérios próprios de inclusão e exclusão, e a elegibilidade depende da avaliação da equipe responsável.

Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico, prognóstico ou orientação médica individualizada.

Fontes

Instituto Nacional de Câncer — INCA. Câncer de pulmão — versão para profissionais de saúde.

Instituto Nacional de Câncer — INCA. Estadiamento.

International Association for the Study of Lung Cancer — IASLC. Staging Cards in Thoracic Oncology, 9th Edition.